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Paróquia

História

O convento foi fundado em 1660 por Fernão Cabral, arcediago da Sé de Lisboa, e entregue às religiosas da Ordem de S. Salvador ou Brígidas, como mais vulgarmente são chamadas.
As religiosas brígidas, originárias de Inglaterra, chegaram a Lisboa em 1594, fugidas ao cisma de Henrique VIII. Instalaram-se primeiro no Mocambo, onde ficaram conhecidas como as Inglesinhas. Em 1651, começou a construção das novas instalações em Marvila para as religiosas portuguesas sob iniciativa da abadessa Madre Brígida de Santo António.
O convento e respectiva Igreja foram solenemente sagrados no dia 19 de Março de 1660, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição.
As obras só ficaram concluídas em 1680, e para elas contribuíram, além de Fernão Cabral, D. Isabel Henriques, patrocinadora do convento, que aí se recolheu quando viúva. Ocorreram novas obras nos reinados de D. Pedro II e início de D. João V.
O terramoto de 1755 arruinou muito o convento. No final do século a instituição debateu-se com falta de meios, mas teve ainda grandes campanhas de obras.
As ordens religiosas foram extintas em 1832, mas as freiras permaneceram no convento até à sua supressão em 1872, tendo a igreja sido fechada em 1873. O edifício conventual foi adaptado a Asilo, sendo actualmente uma instituição assistencial, com a designação de Mansão de Santa Maria de Marvila.
Em 1932 a Igreja foi reaberta ao culto, pertencendo à jurisdição dos Olivais até à criação, em 1959, da Paróquia de Santo Agostinho de Marvila.

 

Cronologia:
1655 – Doação feita por Fernão Cabral, arcediago da Sé de Lisboa, de parte da Quinta de Marvila da Mesa Pontifical (pouco tempo antes (1652) adquirida em hasta pública) à madre Brígida de Santo António, abadessa do Mocambo, para a instalação de um edifício conventual;
1660, 18 Março – alojamento das primeiras religiosas e início da construção;

1660, 19 Março – Dedicação da Capela do Convento de Nossa Senhora da Conceição de Marvila
1665 / 1666 – Fernão Cabral (através do seu irmão e administrador da sua casa, o padre Fr. Pedro de Santo Agostinho) iniciou as obras da igreja definitiva, uma vez que a igreja inicial seria demasiado pequena;
1680 – É dado por concluído o mosteiro de Nossa Senhora da Conceição de Marvila; algumas das infraestruturas necessárias foram concluídas graças à fortuna doada por D. Isabel Henriques, esposa do fidalgo Diogo Lopes de Torres;
1681 – Recolhe-se no convento D. Isabel Henriques, então viúva, e graças ao seu empenhamento, conclui-se a construção da igreja;
1695 – No convento vivem 35 religiosas com 865.600 reis de renda;
1714 – Juliana Henriques (filha de Isabel Henriques) mandou dourar o trono e a tribuna;
1718 – D. Helena de Távora entra no convento e faz muitos melhoramentos: consertou telhados, fez celas para religiosas, ladrilhou o claustro, instalou água no jardim, e mandou decorar a capela do Senhor dos Passos com talha dourada, azulejos e pintura;
1725 – João Vicente dos Santos mandou construir o pórtico (portaria conventual), uma vez que a sua filha era a porteira do convento;
1834 – A extinção das ordens religiosas, tal como nos restantes conventos femininos, não obriga à saída das freiras brígidas;
1872 – Supressão oficial, por decreto, do mosteiro de Marvila, sendo as duas últimas freiras enviadas para o convento de Santa Clara de Santarém;
1873 – Mediante alvará régio, a capela, as imagens, as alfaias e os paramentos foram entregues à Junta da Paróquia de Santa Maria dos Olivais;
1874 – Por carta de lei, o Governo oferece o edifício conventual para o Asilo D. Luis I (fundado em 1861 com um legado testado pelo comendador Manuel Pinto da Fonseca, no valor de 140 contos de reis); nos anos 1928 / 1929, com a transferência do Asilo Manuel Pinto da Fonseca para Porto Brandão, no antigo convento foi instalado o Asilo de Mendicidade de Campolide, ao qual se juntou uma secção para cegos, tomando, por isso, o nome de Recolhimento para Desamparados e Asilo de Cegos e Cegas, chegando a albergar 470 pessoas;
1932 – A igreja reabre ao culto;
1936 – Toma o nome de Asilo de Velhos de Campolide e Asilo de Santa Maria para Cegos e Cegas; 1940 – a designação volta, novamente, a mudar para Asilo de Velhos de Marvila, (a qual se manteve até 1973, quando assume a actual designação de Mansão de Santa Maria de Marvila) ficando sucessivamente sob a tutela do Instituto de Assistência ao Inválido (a partir de 1945), da Direcção Geral da Assistência (em 1958) e do Instituto da Família e Acção Social do então Ministério da Saúde e Assistência (em 1971);
Anos 40 – construção de um salão paroquial anexo à igreja;
1947 – A capela foi doada à Paróquia de Santa Maria dos Olivais;
1959, 25 de Março- Na sequência da reforma administrativa e paroquial, é criada a Paróquia de Santo Agostinho a Marvila, desanexada da Paróquia de Santa Maria dos Olivais. A capela é cedida para Igreja Paroquial de Marvila, com o orago de Santo Agostinho.

2008, 7 Setembro – Inauguração do Centro Pastoral Paroquial

Paróquias nascidas da Paróquia de Santo Agostinho a Marvila:
1960 – Criação do Vicariato de São Félix de Chelas (actualmente Paróquia)
1987 – Criação da Paróquia de São Maximiliano Kolbe de Vale de Chelas
1992 – Criação da Paróquia de Santa Beatriz da Silva

Párocos
1959 a 1968 – Pe. António Ferreira
1968 a 1975 – Pe. Henrique Wiborg Pietra Torres     
1975 a 1976 – Pe. João Augusto de Nascimento
1976 a 1976 – Pe. António Afonso Calado (de 6 de Setembro a 20 Outubro)
1976 a 2003 – Pe. José Feliciano Rocha Alcobia
2003 a 2003 – Pe. Frei Francesco Ervas OFMConv. (de 27 de Junho a 28 de Setembro – Administrador Paroquial)
2003 a          – Pe. Luís Miguel Proença Leal

Um Comentário leave one →
  1. Januário Gaviz hiperligação permanente
    15/01/2012 4:19

    Se me é permitido, quero deixar aqui um Testemunho e alguns Agradecimentos!

    O Testemunho: nascido no Alto Minho, foi nesta Igreja dedicada a Santo Agostinho, Doutor da Igreja, que efectuei toda a minha formação cristã, na Infância, na Adolescência e também na Juventude!

    Ainda hoje, não estando longe, cito muitas vezes os tempos vivenciados de militância activa na Paróquia de Santo Agostinho de Marvila, à altura integrante da Vigararia VII da Cidade de Lisboa. De tal maneira assim é que, tendo sempre como referência o Patriarcado de Lisboa, a nossa Diocese, e o Nosso Bispo e Pastor, Sua Eminência Reverendíssima, O Bispo Titular, o Senhor Dom José da Cruz Policarpo, pela Graça de Deus e Mercê da Sé Apostólica, Cardeal da Santa Igreja de Roma, com o Título de Santo António dos Portugueses, no Campo de Marte, ainda hoje considero esta Igreja a “Minha Igreja”, pois ela é a casa de Cristo e, dedicada ao Grande Doutor da Igreja, no-la foi outorgada, pela Graça de Deus e Ad Maiorem Dei Gloriam!

    Agora os Agradecimento, sem menosprezar ninguém, não é esse o Espírito que fortalece a Igreja de Jesus Cristo, nas seguintes vertentes: a primeira ao Patriarcado de Lisboa, Titular da Diocese, que, a seu tempo, teve o vislumbre da criação da nova Paróquia!

    Viviam-se efectivamente outros tempos:a corrente migratória (êxodo rural) era forte em Direcção a Lisboa, a capital de todas as esperanças, não raro a desgraça de todas as desilusões! Ora a desanexação da capela anexa à actual Mansão para Igreja paroquial constituiu uma absoluta necessidade!

    Estávamos ao tempo do Mandato do Senhor Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, Cardeal-Patriarca;

    a segunda, ao primeiro Pároco, o saudoso Padre António Ferreira, cujo dinamismo, em toda a zona dos Olivais, não foi alheio à criação da nova Paróquia! Recordo que a criação da freguesia civil é posterior, datando de 1969;

    A terceira referência, para o não menos saudoso Padre Henrique Wiborg Pietra Torres, durante sete anos, incluindo o do sobressalto revolucionário vivido pelo país, e pela Cidade de Lisboa, em Particular!

    Numa zona pobre, esquecida pelos poderes do Terreiro do Paço, predominantemente operária, somente a sagacidade e o “feeling”, a uma vez muito humano e apostólico, deste Pároco como fiel colaborador do Bispo Diocesano, o singularíssimo Cardeal Patriarca Dom António Ribeiro, de saudosa memória, foi capaz de fazer face às adversidades! Quando o Sr. Padre Pietra Torres saiu para a Paróquia da Pena, foram muitos os paroquianos que sentiram a Mudança e, oriundos de outras paragens, nem a entenderam muito bem, recordo!

    Há um breve período de transição, efectivamente assinalado acima ( Padres João Augusto Nascimento e António Afonso Calado), mas o Espírito Santo é de uma Providência inefável!

    Nesta perspectiva, quero deixar aqui o meu público reconhecimento à Acção Pastoral do Patriarcado de Lisboa em todo o então território da Paróquia de Santo Agostinho de Marvila, através da nomeação do Senhor Rev.º Padre José Feliciano Rocha Alcobia para o cargo de Pároco/Prior desta vastíssima Paróquia!

    Pelo seu saber, pelo seu dinamismo e pelo saber compreender gentes de outras origens do país, com predominância para a Região duriense e de Entre Douro e Minho, mas não só, o Sr. P.e Rocha Alcobia havia de ser o grande dinamizador de toda a Paróquia de Santo Agostinho, desde a zona mais antiga de Marvila, junto ao Poço do Bispo, até ao Vale de Chelas, Novas Zonas de Chelas, com destaque para a zona I, mas não só, até São Félix de Chelas, na altura Vicariato!

    Tive o grato ensejo de fazer a Profissão de Fé já ao tempo do Rev.º Sr. P.e José Feliciano Rocha Alcobia, sendo aí crismado, em 1978, pelo Sr. Bispo Auxiliar do Senhor Patriarca, o Senhor Dom Maurílio Quintal de Gouveia, Arcebispo de Mitilene (que mais tarde seria nomeado, por Sua santidade o Papa João Paulo II, para Titular a Diocese de Évora, igualmente Sede de Província Eclesiástica). Foi aí também que me tornei Catequista, de crianças, jovens e adultos, sucessivamente, actividade que, sem interrupção, ainda hoje exerço na Paróquia onde me integro, em São Pedro de Alverca do Ribatejo/Igreja dos Pastorinhos ( neste momento sob a responsabilidade da Comunidade Sacerdotal de São Carlos Barromeu)!

    Como se pode ver acima, o Rev.º Sr. Padre José Rocha Alcobia presidiu, com zelo, aos destinos da Paróquia durante 27 longos anos!

    Uma Vida, mesmo para a Vida de uma Comunidade paroquial!

    Não posso esquecer, durante todo este tempo, três referências pessoais, além do Pároco:

    a da minha própria Catequista, Senhora D.ª Julieta, enfermeira no Hospital Pulido Valente, de quem guardo virtuosa memória;

    e a acção coadjutora dos Senhores Padres Pedro Teófilo e Alberto Direito, os quais, de perto, colaboraram com o Sr. Prior!

    Sobre os exercícios posteriores ao mandato do Padre José Rocha Alcobia, não me posso pronunciar, já não estava na Paróquia, por razões pessoais, seja sobre a transição em 2003, ao cargo do Sr, Padre Frei Francesco ErvasOFMCONV, seja sobre o actual mandato do Rev.º Sr. Padre Luís Miguel Proença Leal, que regista igualmente já um longo período à frente dos destinos paroquiais e a quem me permito cumprimentar, muito fraternal e reverencialmente na Igreja de Lisboa, em União com o Magistério Episcopal do Sr. Patriarca de Lisboa, Eminência Reverendíssima, e ao qual desejo obviamente os maiores êxitos ao Serviço da Igreja nesta área específica da zona Oriental de Lisboa! Sei que assim tem sido feito!

    Sei também que o anterior Pároco a que me referi, Rev.º Sr. P.e Rocha Alcobia, exerce o seu múnus Sacerdotal noutra zona do Patriarcado de Lisboa, mas também creio que talvez se aproxime a altura de todos os que com estes senhores Padres conviveram, trabalharam, colaboraram e com eles se formaram, como crentes que o são, e portanto fieis à Igreja presente em Lisboa, lhes prestarem as devidas homenagens!

    Ao passar por esta página, não me foi estranho o nome do Boletim Paroquial:um nome escolhido, à saída de uma das habituais reuniões do “Grupo de Jovens”, por duas ou três pessoas que o pensaram, conceberam e nele deram os primeiros passos! “Gérmen”, é este o nome, foi primeiro um jornal de parede, no átrio contíguo ao antigo Salão Paroquial, só depois passando ao formato de papel!

    Trata-se de um pormenor, mas muito eloquente, pois encerra em si o dinamismo das palavras de Jesus Cristo:se tivermos a Fé do tamanho de um Grão de mostarda, ela germinará, e dará muitos frutos!

    Fica o desafio, pois, à Comunidade Paroquial de Santo Agostinho de Marvila, em Lisboa.

    Por último, recordo os ensinamentos da Santa Igreja, a propósto da nossa caminhada como Igreja Militante e Peregrina:ela é feita de Memórias! Perceberam-no os Grandes “Padres da Igreja”, é uma constante dos textos Sagrados em narrativas de vários géneros, das Homilias, Cartas e Exortações dos nossos Bispos e é Doutrina firmada nos diferentes Concílios Ecuménicos ao longo da História.

    Seria uma pena que, toda uma série de gerações que não somente passaram, mas fizeram a Comunidade Paroquial de Marvila, em Lisboa, deixassem cair no esquecimento as suas memórias e memórias vividas intensamente e, por isso, vivas!

    Mais uma razão para dar corpo a este Projecto, para as gerações vindouras, uma outra forma de Evangelização, afinal!

    Dado no Domicílio, na Vila de Alhandra, aos quinze dias do mês de Janeiro de Dois Mil e Doze, Anno Domini

    Januário Gaviz, baptizado na Igreja da Diocese de Viana do castelo, membro militante na Igreja do Patriarcado de Lisboa

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